domingo, 8 de maio de 2011

A Ilha de Eudamón : Introdução

—Não há tempo! —se escutou com nitidez. Foi um grito ofuscado, impaciente e, no entanto, gracioso, surgido do meio de um grupo de pedreiros que davam os retoques finais na grande mansão que estavam construindo. Era 11 de fevereiro de 1854.Estvam esgotados e com calorqueriam terminar de uma vez,mas um homenzinho pequeno,que caminhava com passos largos segurando uma ridicula sombrinha branca, os detinha,enquanto mostrava a hora em um relogio de bolso.

O Dr.Inchausti, elegante e solene se aproximou do grupo e parou a discussão.. Ainda que o sol do meio-dia estivesse inssuportavel  e os homens corressem o risco de se insolar o homenzinho,vestido com calça branca,camisa branca, terno branco e sapatos brancos, gritava muito irritado que deviam colocar o relogio nesse mesmo momento. —È muito importante, Inchausti! —ele disse com irreverencia e tom desafiante ao doutor, a quem ninguem chamava «Inchausti» a secas. O Dr.Inchausti não tolerava os atrevimentos e além do mais, era muito considerado e afetuoso com seus empregados.No entanto, o homenzinho respondeu como se ignorasse que se tratava de um dos homens mais ricos,mais respeitados da cidade e com mais  influencia. —Inchausti, este relogio tem que estar funcionando em duas horas.Não há tempo! —disse,enquanto cravava seu olhar no Doutor. Uma hora mais tarde, os pedreiros e o carpinteiro terminavam  de embutirr o grande relogio que coroava o sotao da mansão.Imediatamente depois,quase cinco anciãos de altura identicas,cada um com caracteristicas e trajes indigenas,entraram na casa e subiram até o sótão, onde o homenzinho branco os esperava.Os anciãos indígenas abriram seus mochilas, que começaram a tirar centenas de pessas de relogio de todos os tamanhos.Com uma precisão admiravelem poucos segundos começaram a armar o mecanismo do grande relogio. O homenzinho de branco abriu uma  saco branco, do qual tirou um caixãozinho de madeira, tambem branco.E dele,uma pequena pessa de metal cinza.Ele estendeu sua pequena e delicada mão, e colocou a peça dentro do mecanismo do relogio.Os cinco anciões e o homenzinho de branco olharam o relogio durante alguns segundos,até que o ponteiro marcou por fim o primeiro minuto.E foi assim que o imponente relogio,construido por pruni mestres relojoeiros começou a operar. E funcionou com perfeição,sem adiantar nem atrasar, nem parar já mais, durante exatamente 177 anos, 9 meses, 11 dias e 7 horas. Uma vez terminado o trabalho,o homenzinho saiu para o jardim traseiro da mansão,onde o Dr. Inchausti mostrava para sua jovem mulher e a seu pequeno filho as arvores que foram plantadas.O homenzinho de branco interrompeu a conversa do doutor com sua habitual irreverencia. — Não vai quebrar,mas se quebrar, o que não vai acontecer,claro; mas se chegar a acontecer, na improvavel eventualidade, ainda que ,repito que é quase impossivel que isso acontesa, não deixe nenhum relojoeiro colocar as suas mãos nele.Nós viremos para corrigir isso.Está claro? — Está claro —respondeu o doutor, conteniendo la irritación que o provocava esse tratamento impertinente.
— E cuide bem dele —Avisou um homen enquanto se servia de um copo de limonada,sem que o houvessem oferecido. —Não como quem cuida de um relogio qualquer.Tão pouco como se cuida de um movel. Muito menos como se cuida de um objeto .Cuidem dele como se cuidaria de um ente querido — indicou com precisão e bebeu um gole de limonada. — Que bem vindo!Que verão mais inssuportavel! ! —exclamou—Não entendo por que as pessoas gostam do verão.Boa tarde.E sem dizer mais nada, retirou-se.A mulher olhou para seu marido, procurando uma explicação para sua inusitada tolerancia, e perguntou com uma grande curiosidade:— Quem é esse homem? — Foi quem salvou minha vida no Peru —foi a resposta contudente do Dr.Inchausti.Quando o homenzinho passou perto do pequeno filho do casal,que brincava no jardim,o menino o olhou e perguntou:— Quem é você?. —O homenzinho o olhou sorriu e disse: —Se eu te disse-se meu nome e te explicasse realmente quem eu sou,você não entenderia.Direi,somente,que me chamam de «Tic Tac».E se afastou,enquanto abria a sua ridicula sombrinha branca. O menino poderia ter jurado que o tinha visto desaparecer pelas gardenias.        

No instante em que o ponteiro do relogio da mansão começava a girar, a 17,8 kilometros a noroeste da mansão, em uma estancia que tambem era propiedade do Dr.Inchausti, outro grupo de anciões pruni, comandados por outro homenzinho de branco identico ao Tic Tac, colocava em funcionamento um relogio igual. E nesse mesmo instante,a 17,8 kilometros ao sul da estancia, em uma paroquia do pequeno povoado de Escalada, outro grupo de anciões pruni, comandados por outro homenzinho de branco,replica do Tic Tac,colocava em funcionamento um terceiro relogio, análogo aos outros dois. No ano de 1854 não existiam aviões nem satelites.Se houvesse existido algo semelhante, um observador,do ceú poderia ter avistado que durante uma fração de segundos três pontos emitiram uma luz azul,intensa e os três vertices se unirão atravéz do firmamento,formando um triângulo equilatero perfeito.